Dr. Israel Cirlinas Médico Neurologista
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Oito queixas que a neurologia consegue nomear.

Cada bloco abaixo diz o que costuma estar por trás do sintoma, como ele é investigado e o que muda quando se acha a causa. Nenhum deles substitui a consulta: eles existem para você chegar sabendo o que perguntar.

Israel Cirlinas · Médico Neurologista · CRM 20647/SP

Neurologia clínica de adultos. O que não for da área, eu digo na consulta e indico o caminho certo, sem fazer você perder mais tempo.

01

Cefaleia e enxaqueca

Dor de cabeça não é uma doença só. Enxaqueca, cefaleia tensional, dor em salvas, dor por uso excessivo de analgésico e dor secundária a outro problema têm tratamentos diferentes, e o remédio que ajuda numa pode piorar a outra.

A investigação começa pelo padrão: onde dói, que tipo de dor é, quanto tempo dura, o que vem junto (náusea, luz, barulho, aura), o que dispara e quantos comprimidos você toma por mês. Esse último número é decisivo, porque analgésico em excesso é uma das causas mais comuns de dor de cabeça diária, e quase ninguém desconfia disso.

Existe tratamento para cortar a crise e existe tratamento preventivo, para diminuir a frequência. Muita gente passa anos só apagando incêndio, sem nunca ter recebido a prevenção que teria mudado o mês inteiro.

02

Tontura e vertigem

Tontura é uma das queixas mais mal resolvidas da medicina, porque quase tudo vira labirintite antes de qualquer exame. A primeira pergunta é o que exatamente você sente: o mundo girando, a sensação de desmaio, a cabeça leve, ou a impressão de estar caminhando sobre um colchão.

Cada uma dessas descrições aponta para um lugar diferente: ouvido interno, circulação, pressão, remédio em uso, coluna cervical, enxaqueca ou o próprio sistema nervoso central. O exame neurológico com as manobras de equilíbrio e de olhar separa boa parte disso ainda no consultório.

Quando o caso é de origem no ouvido, a indicação é o otorrinolaringologista, e ela é feita na hora. O que não faço é entregar um remédio para tontura e mandar você conviver com a queixa sem saber de onde ela vem.

03

Epilepsia e convulsões

Dr. Israel Cirlinas apontando com a caneta para as imagens de ressonância do cérebro no negatoscópio, com o traçado do eletroencefalograma ao lado

Nem toda crise é convulsão e nem toda convulsão é epilepsia. Existem crises com queda e abalo do corpo inteiro, e existem crises silenciosas: um momento de desconexão, um cheiro estranho que aparece do nada, um formigamento que sobe pelo braço, um lapso de alguns segundos que a família nota antes da pessoa.

A investigação junta o relato de quem viu a crise, o eletroencefalograma e, quando indicado, a imagem do cérebro. O relato da testemunha vale ouro aqui, então traga junto quem estava presente ou o vídeo, se alguém tiver filmado.

O objetivo do tratamento é claro: crise zero, com o mínimo de efeito colateral possível. Isso exige escolher a medicação certa para o tipo de crise, ajustar a dose com paciência e conversar sobre sono, álcool, direção e trabalho, que fazem parte do controle tanto quanto o comprimido.

04

Formigamento e dor neuropática

Mãos do Dr. Israel Cirlinas com o martelo de reflexo sobre o caderno de anotações, ao lado de um modelo de cérebro e do estetoscópio na mesa

Formigamento, queimação, choque, dormência e aquela dor que piora à noite não são má circulação por definição. Quando o nervo está sofrendo, a dor tem esse caráter elétrico, e ela responde a medicações completamente diferentes das usadas para dor comum.

A causa pode estar no diabetes, na deficiência de vitamina B12, no álcool, na tireoide, num nervo comprimido pelo punho ou pela coluna, num remédio em uso ou numa doença autoimune. O exame de sensibilidade e de reflexos localiza o problema, e o exame de sangue mais a eletroneuromiografia confirmam.

Boa parte desses casos melhora muito quando a causa é corrigida. Repor o que falta, controlar o açúcar, tirar o que agride o nervo e tratar a dor com o remédio certo costuma devolver a noite de sono que já parecia perdida.

05

Memória e cognição

Esquecimento não é sinônimo de demência, e nem todo esquecimento é da idade. Depressão, ansiedade, insônia, apneia do sono, tireoide, falta de vitamina B12 e efeito de remédio produzem queixa de memória que melhora quando a causa é tratada.

A avaliação separa isso: o que mudou, desde quando, se atrapalha as tarefas do dia, se a pessoa se repete, se perdeu a orientação de lugar ou de data, se houve mudança de comportamento. O relato de quem convive é parte essencial da consulta, porque quem esquece nem sempre percebe o tamanho do esquecimento.

Quando a investigação aponta para demência, a conversa é honesta desde o primeiro dia. Existe tratamento que retarda a progressão, existe manejo dos sintomas de comportamento e existe orientação para a família, que é o que mais muda o dia a dia de casa. Isso está detalhado logo abaixo, em quando não existe cura.

06

Tremor e parkinsonismo

Nem todo tremor é doença de Parkinson. O tremor essencial, que aparece ao segurar o copo ou ao escrever, é bem mais comum e tem tratamento próprio. O tremor do Parkinson costuma aparecer com a mão parada, e vem acompanhado de lentidão, rigidez, letra menor e passo mais curto.

Existe também o parkinsonismo causado por remédio, principalmente por alguns antivertiginosos e antipsicóticos usados por longo tempo. Nesses casos, identificar o medicamento responsável muda tudo, e o quadro pode regredir bastante.

O diagnóstico é clínico, feito com o exame do movimento, e a conduta se ajusta ao longo dos anos. Quando é Parkinson, o tratamento devolve autonomia por muito tempo, ainda que não interrompa a doença. Esse limite é dito com clareza, e o que dá para fazer dentro dele também.

07

Distúrbios do sono

Insônia, sono que não descansa, ronco forte com paradas na respiração, sonolência durante o dia, pernas inquietas na hora de dormir e o hábito de se debater durante o sonho. Cada um desses quadros tem investigação e tratamento diferentes.

O sono ruim piora enxaqueca, piora epilepsia, piora memória e piora humor. Por isso ele entra na consulta mesmo quando não foi a queixa que trouxe você aqui. Muitas vezes é ele que mantém o outro sintoma de pé.

Quando há suspeita de apneia, a indicação é o exame do sono, porque tratar apneia muda pressão, coração, memória e disposição de uma vez só. Indutor de sono é a última carta, e não a primeira, principalmente em quem já usa há anos.

08

Acompanhamento depois do AVC

Consultório de neurologia com maca preparada, mesa junto à janela e prateleira com modelos de cérebro e de coluna

A fase aguda do AVC é hospital, e é urgência. Depois da alta, começa a parte que decide o resto: controlar o que causou o derrame para que ele não se repita, e recuperar o que dá para recuperar.

Isso significa acertar pressão, açúcar, colesterol, ritmo do coração e o uso correto do antiagregante ou do anticoagulante. Significa também tratar as sequelas que ninguém comenta: a dor no ombro do lado parético, a espasticidade, a dificuldade para engolir, o choro fácil, a depressão que aparece depois e a epilepsia que pode surgir meses depois da lesão.

O acompanhamento coordena isso com a fisioterapia e com a fonoaudiologia, e ajusta o remédio conforme a recuperação anda. Segundo AVC se previne, e essa prevenção é feita em consultório.

09

Outras queixas neurológicas

Fraqueza em um lado do corpo, alteração da fala, visão dupla, paralisia facial, dor no trajeto do nervo ciático, tiques, câimbras frequentes, desmaios de repetição, zumbido com tontura, sequelas de traumatismo craniano e revisão de diagnóstico neurológico feito há muito tempo.

Se você não sabe se a sua queixa é neurológica, marque assim mesmo. Descobrir a qual especialidade o caso pertence é parte do trabalho, e sair da consulta com o encaminhamento certo já economiza meses de caminho errado.

Sem enfeite

Quando não existe cura.

Demência, Parkinson, esclerose múltipla, sequela de AVC e neuropatia avançada são doenças que se controlam, e não que se curam. Aqui isso é dito assim mesmo, e o que vem depois dessa frase importa mais do que ela.

Ilustração de duas mãos abertas segurando um geodo partido, com o interior cristalizado à mostra

Diagnóstico correto continua mudando tudo

Saber exatamente qual é a doença define qual medicação ajuda, o que esperar dos próximos anos e o que não vale a pena tentar. Muita gente passa anos tratando a doença errada, e nesses casos o diagnóstico certo devolve tempo de vida útil, mesmo sem cura à vista.

Sintoma controlado é resultado concreto

Menos dor, menos crise, menos queda, sono que volta, humor mais estável, mais autonomia para se vestir e para caminhar. Nenhum desses itens aparece em manchete e todos eles mudam o dia de quem vive com a doença e de quem cuida.

A família precisa saber o que vem

O que é da doença e o que não é, quando ligar para o médico, quando ir ao pronto-socorro, como lidar com a agitação do fim da tarde, como evitar a queda dentro de casa. Essa orientação é parte do tratamento e ocupa tempo de consulta, não é conversa de corredor.

Tempo para a pergunta difícil

Quanto tempo ainda tenho assim. Vou depender de alguém. Meu filho vai ter isso também. Essas perguntas cabem na consulta, e a resposta vem do jeito que ela for: às vezes é uma estimativa, às vezes é a verdade de que ainda não dá para saber.

Nada aqui é promessa de resultado. A evolução de uma doença neurológica depende do diagnóstico, do tempo de doença, das outras condições de saúde e de como cada corpo responde ao tratamento. O compromisso é com a conduta correta e com a informação honesta, inclusive quando ela é ruim.

Antes de agendar

Sinal de AVC não espera consulta. Ligue 192 agora.

Se apareceu de repente, é emergência

Boca torta, um lado do rosto caído, fraqueza ou dormência em um braço ou uma perna de um lado só, fala embolada, dificuldade de entender o que dizem, perda súbita da visão, desequilíbrio repentino ou a pior dor de cabeça da sua vida. Diante de qualquer um desses sinais, ligue 192 ou vá ao pronto-socorro imediatamente. Também são emergência a convulsão que não para, a primeira crise da vida e a febre alta com rigidez de nuca e confusão mental.

Achou a sua queixa aqui? Então já dá para investigar.

Traga os exames que já tem, mesmo os antigos, e a lista dos remédios em uso com a dose. É com isso na mesa que a consulta rende.

Israel Cirlinas · Médico Neurologista · CRM 20647/SP · R. Princesa Isabel, 152, Vila Bocaina, Mauá, SP, CEP 09310-010.

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